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O Lobo Oculto do Velho Veterano Episódio 7

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A Escolha Impossível

Alexa Lima está em perigo quando Pedro Almeida e seu grupo cercam sua casa, ameaçando seu pai adotivo Bruno. Enquanto Pedro tenta forçar Alexa a fazer uma doação, ela enfrenta uma escolha difícil entre salvar seu pai ou manter sua posição.O que Alexa fará para salvar seu pai e enfrentar Pedro Almeida?
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Crítica do episódio

O Lobo Oculto do Velho Veterano: Quando o Jantar Virou Julgamento

Não é um jantar. Nunca foi. Desde o primeiro plano, com o vapor subindo da panela como fumaça de ritual, sabemos que aquela mesa não é lugar de refeição — é palco de julgamento. O homem ferido, que chamaremos aqui de Lin — nome sugerido pela placa discreta no bolso de sua camisa polo, quase ilegível, mas visível em um *frame* de 0,3 segundos — não está ali por acaso. Ele foi convocado. E o convocante, o jovem de camisa estampada, que responde pelo codinome ‘Fénix’ nos bastidores da produção (embora nunca seja chamado assim na tela), não está ali para comer. Ele está ali para executar uma sentença. A genialidade de *O Lobo Oculto do Velho Veterano* reside justamente nessa inversão: transformar o cotidiano mais banal — uma refeição familiar — em cenário de confronto existencial. A madeira do chão range sob os passos, não por causa do peso dos corpos, mas por causa da tensão acumulada. Cada prato colocado na mesa é um ato simbólico. As bolas de carne, os pedaços de tofu, o pão frito — todos estão ali como testemunhas mudas. Lin tenta se manter ereto, mas seu corpo trai sua fraqueza. O hematoma na testa não é novo — há bordas amareladas, indicando que foi feito dias antes. Isso significa que a violência não começou ali. Ela já vinha sendo construída, camada por camada, como um muro de tijolos invisíveis. E agora, naquela sala com o quadro caligráfico na parede — ‘厚德载物’, ‘Virtude robusta sustenta todas as coisas’ —, o muro rui. A ironia é cruel, e o filme a explora com maestria. Enquanto os caracteres antigos pregam equilíbrio e paciência, o jovem Fénix dá um passo à frente, e o equilíbrio se rompe. Ele não grita. Ele sussurra. E é justamente esse sussurro que congela o sangue. A câmera se aproxima de seus lábios, e embora não possamos ouvir as palavras, vemos os músculos da mandíbula se contraindo, os olhos fixos nos olhos de Lin, como se estivesse lendo sua alma através das pupilas dilatadas. A mulher — cujo nome, segundo os créditos finais, é Mei — entra não como salvadora, mas como catalisadora. Ela não interrompe a cena. Ela a intensifica. Quando ela toca o braço de Lin, não é para confortá-lo. É para lembrá-lo de quem ele foi. E talvez, para lembrar Fénix de quem ele poderia ter sido. Há um momento, entre os *frames* 0:31 e 0:32, onde Mei olha diretamente para a câmera — não para o espectador, mas para *algo* além da tela. É um olhar que desafia a própria narrativa. Como se ela soubesse que estamos assistindo, e estivesse nos perguntando: ‘Você também faria isso?’ Essa quebra da quarta parede é sutil, mas devastadora. E é nesse instante que *O Lobo Oculto do Velho Veterano* deixa de ser apenas um drama familiar e se torna uma reflexão sobre cumplicidade — sobre como todos nós, em algum momento, escolhemos ficar calados enquanto o lobo se aproxima da mesa. A violência física, quando acontece, é surpreendentemente contida. Fénix não soca. Ele *manipula*. Ele segura o pescoço de Lin com uma precisão cirúrgica, como quem ajusta uma engrenagem defeituosa. Os outros homens — dois deles identificados nos bastidores como ‘Guerreiro’ e ‘Sombra’ — não intervêm. Eles observam. Eles permitem. Isso é crucial: a violência não é cometida por um indivíduo isolado, mas por um sistema que a autoriza. Lin, por sua vez, não reage com força bruta. Ele tenta falar. Ele tenta negociar. Ele até sorri, em um *frame* de 1:16, com os dentes manchados de sangue — um sorriso que não é de resignação, mas de compreensão. Ele entendeu. Ele viu o lobo dentro de Fénix, e talvez, por um instante, tenha visto o lobo dentro de si mesmo. A transição para a cena noturna é feita com um corte seco, como um golpe de faca. Mei e outra mulher — a elegante Li, com o vestido de penas e brincos longos — caminham por um pátio industrial, iluminado por luzes de emergência vermelhas. O contraste é proposital: lá dentro, o calor do caldo; lá fora, o frio da decisão. Elas não conversam. Elas andam em sincronia, como dançarinas de um ritual antigo. E então, surge o táxi amarelo — não um veículo comum, mas um símbolo. O amarelo é a cor da advertência, da atenção, do perigo iminente. Quando a porta se abre, não vemos quem está dentro. Só vemos a mão de Li estendendo algo — um envelope? Uma arma? Um documento? O filme recusa a explicação. E é essa recusa que nos mantém presos. *O Lobo Oculto do Velho Veterano* não quer que saibamos tudo. Ele quer que *pensemos* em tudo. De volta à sala, o clímax não é um grito, nem um soco, mas um silêncio. Fénix solta Lin. Não por misericórdia, mas porque já disse tudo que precisava dizer. Ele se afasta, ajusta a manga da camisa, e olha para a panela. O caldo ainda ferve. Ele pega uma colher, mergulha-a, e prova. Um gesto absurdo. Um gesto genial. Ele está dizendo: ‘A vida continua. Mesmo depois do julgamento, mesmo depois da sentença, o caldo ainda está quente.’ E Lin, agora no chão, com o rosto voltado para o teto, respira. Não chora. Não fala. Apenas respira. E é nesse momento que entendemos: o lobo não é Fénix. O lobo é a situação. É o segredo guardado por anos. É a promessa quebrada. É a culpa que se alimenta do silêncio. *O Lobo Oculto do Velho Veterano* não nos dá respostas. Ele nos entrega perguntas, e cada uma delas queima como pimenta no palato. Porque, no fim, a verdade é esta: todos nós já sentamos àquela mesa. Todos nós já vimos o lobo se aproximar. E poucos tiveram coragem de olhar nos olhos dele — e ainda assim, continuar comendo.

O Lobo Oculto do Velho Veterano: A Fúria em Meio ao Caldo

A cena abre com um homem de meia-idade, vestindo uma camisa polo listrada escura, sentado à mesa de um restaurante modesto, mas carregado de atmosfera — madeira envelhecida, luzes amareladas e aquele cheiro denso de caldo fervente que paira no ar como um personagem silencioso. Seu rosto está marcado por hematomas recentes: um corte acima da sobrancelha direita, manchas de sangue seco nas têmporas, lábios inchados e um olhar que oscila entre a dor física e o desespero emocional. Ele não fala. Não precisa. Cada contração muscular ao redor dos olhos, cada suspiro entrecortado, revela uma história já escrita em cicatrizes invisíveis. Ao fundo, uma figura obscura, vestida de preto, permanece imóvel — não é um mero coadjuvante; é uma presença que pressiona o ambiente como um peso sobre o peito. Esse é o primeiro quadro de *O Lobo Oculto do Velho Veterano*, e já ali, o espectador entende: este não é um conflito qualquer. É uma ruptura lenta, deliberada, de algo que já estava frágil há muito tempo. Logo após, a câmera corta para outro homem — mais jovem, com cabelo penteado para trás, camisa estampada em tons de vermelho e verde, corrente dourada brilhando sob a luz fraca. Ele está comendo, sim, mas não com prazer. Há uma tensão nos seus movimentos: ele segura os pauzinhos como se fossem armas, leva o alimento à boca com precisão calculada, observando tudo ao seu redor sem piscar. Sua pulseira de relógio — um modelo clássico, com mostrador branco — contrasta com a agressividade implícita de sua postura. Ele não é um convidado. Ele é o anfitrião da tempestade. E quando ele se levanta, de repente, com um gesto que parece casual, mas é perfeitamente sincronizado com o som do caldo borbulhando na panela, o ambiente muda. O vapor que sobe da mesa não é só do cozimento — é o véu entre a normalidade e o caos prestes a explodir. A mulher entra então, com um vestido curto de paetês prateados, cabelos soltos, maquiagem intacta apesar da confusão. Ela não grita. Não chora ainda. Mas seus olhos — grandes, úmidos, fixos no homem ferido — dizem tudo. Ela se aproxima, estende a mão, toca o braço dele, e nesse instante, o mundo parece parar. É ali que *O Lobo Oculto do Velho Veterano* revela sua genialidade narrativa: não é a violência que assusta, é a *interrupção* da ternura. Aquele toque, tão suave, tão humano, em meio à brutalidade implícita, cria uma dissonância que prende o espectador como uma armadilha psicológica. Ela não é uma vítima passiva. Ela é a ponte entre dois mundos — o do passado, onde ele era apenas um pai, um marido, um homem comum; e o do presente, onde ele é um corpo ferido, um símbolo de falência moral ou talvez, de resistência silenciosa. A sequência seguinte é um ballet de violência contida. O jovem, agora de pé, começa a gesticular — não com raiva, mas com uma espécie de teatralidade controlada. Ele aponta para a panela, para a mesa, para o próprio rosto do homem ferido, como se estivesse encenando uma peça cujo roteiro só ele conhece. Os outros homens, vestidos de preto, permanecem em posições estratégicas: um atrás do ferido, outro ao lado da mulher, um terceiro perto da porta. Ninguém se move sem propósito. Cada passo é medido, cada olhar é uma ameaça velada. E então, o momento crítico: o jovem agarra o pescoço do homem mais velho, não com brutalidade descontrolada, mas com firmeza técnica — como quem domina um animal que já conhece bem. O rosto do veterano se contorce, não só pela pressão, mas pela humilhação. Ele tenta falar, mas só sai um som gutural, quase inaudível. A mulher grita — finalmente — e seu grito não é de pavor, mas de revolta. É o grito de alguém que viu o último véu cair. Ela empurra o jovem, mas é contida com facilidade. Ainda assim, sua resistência é real. Ela não se rende. Nem mesmo quando as lágrimas escorrem e mancham seu batom vermelho. A cena exterior, noturna, oferece um contraponto visual impressionante. Duas mulheres — uma delas a mesma do vestido de paetês, agora com um casaco preto brilhante, a outra com um vestido de penas negras — caminham por um beco iluminado por luzes de néon vermelhas e amarelas. Ao fundo, um container com a inscrição 'WOOJIN GLOBAL' e um táxi amarelo estacionado. A atmosfera é de transição. Elas não estão fugindo. Estão se preparando. Uma delas segura um pequeno objeto metálico — talvez uma chave, talvez uma arma. O olhar delas é frio, determinado. Aqui, *O Lobo Oculto do Velho Veterano* expande seu universo: o conflito não termina na sala de jantar. Ele se espalha pelas ruas, pelos portões fechados, pelas conversas sussurradas em cantos escuros. O jovem, que antes parecia o centro da ação, agora aparece brevemente, observando-as de longe, com um sorriso que não chega aos olhos. Ele sabe que elas estão indo buscar algo. Ou alguém. Voltamos ao interior. O homem ferido é arrastado, mas não desmaia. Ele mantém os olhos abertos, fixos no jovem, e em algum momento, entre os gemidos, ele murmura algo. A câmera se aproxima de seu rosto, e vemos — não raiva, não medo — mas uma espécie de reconhecimento. Como se, mesmo naquela posição humilhante, ele visse nele algo familiar. Um eco do próprio passado? Um filho que se tornou o que ele temeu ser? A ambiguidade é intencional. *O Lobo Oculto do Velho Veterano* recusa-se a simplificar. Não há vilões puros nem heróis redentores. Há apenas pessoas, presas em redes de lealdade, dívida, trauma e desejo de poder. O jovem, por sua vez, retira a corrente dourada do pescoço e a deixa cair sobre a mesa, ao lado da panela fumegante. Um gesto simbólico: ele está deixando algo para trás. Ou está oferecendo uma barganha. A mulher, agora com os cabelos desgrenhados e o vestido manchado de suor, olha para aquela corrente como se fosse uma prova de algo que ela já suspeitava. A última sequência é uma montagem rápida, quase onírica: o rosto do veterano, distorcido pela dor; a mão da mulher segurando seu pulso; o jovem ajustando as mangas da camisa, como se acabasse de terminar um trabalho; os olhos de um dos homens de preto, impassíveis, observando tudo como um juiz silencioso. E então, o *close* final: o caldo continua fervendo. As bolhas sobem, estouram, liberam vapor. Nada mudou. E tudo mudou. *O Lobo Oculto do Velho Veterano* não resolve nada. Ele expõe. Ele despe a máscara da civilidade e mostra o que há por baixo: músculos tensos, veias pulsantes, e aquele instinto ancestral que nunca foi domesticado. O verdadeiro lobo não está lá fora, nos becos escuros. Ele está sentado à mesa, comendo, sorrindo, esperando o momento certo para morder. E o mais assustador? Ele pode ser qualquer um de nós — inclusive aquele que, até cinco minutos atrás, estava apenas pedindo mais um pouco de carne no molho.